As empresas instaladas no Brasil nunca prestaram tanta atenção nos idosos como hoje. Não é para menos. Nos últimos 19 anos, esse segmento da população cresceu não só em número, mas em poder de consumo. De 1992 a 2010, a população com mais de 60 anos no Brasil quase dobrou, saindo de 11,5 milhões para 21,5 milhões.

No mesmo período, a renda média dos mais velhos foi a que mais cresceu, saltando de R$ 660 em 1992 para R$ 1.092 no ano passado, rendimento 58% maior do que o do brasileiro, de R$ 633. Hoje, 82% dos idosos estão nas classes A, B e C, sendo que 66% deles integram a classe média em ascensão. Os dados foram cruzados pelo coordenador do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, a pedido do Estado de Minas.

O cálculo leva em consideração não apenas os aposentados, beneficiados pelos expressivos reajustes do salário mínimo, como também quem continuou a trabalhar. Embora ainda seja difícil para uma boa parte de aposentados e pensionistas bancar todas as despesas com o piso da Previdência, os idosos do início do século 21 têm mais poder de compra, indica o estudo da FGV. Eles compram, viajam, vão ao cinema, frequentam clubes da terceira idade, ajudam a família, namoram, casam-se outra vez e têm uma saúde melhor do que no fim da década de 90. Movimentam ao ano R$ 234,3 bilhões, mais de 10% do consumo total do país.

Há exatamente 100 anos, em 1911, o brasileiro gastava 70% da sua vida trabalhando. Hoje, o tempo na labuta não chega a 50%, considerando a expectativa de vida de 74 anos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A situação pode não ser a ideal, tanto que aposentados que ganham acima do mínimo precisaram pressionar o Congresso para evitar perdas em relação a quem ganha o piso, mas os idosos de hoje têm mais condições de consumir. O desafio é sustentar e ampliar esses ganhos.

“Pessoas acima de 60 anos foram o segmento da população que mais conseguiu conquistas nos últimos anos”, avalia Marcelo Neri. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), entre 2003 e 2009, quando a nova classe média despontou, a renda média real per capita do brasileiro – descontando a inflação e o crescimento populacional – cresceu 4,7% ao ano. Enquanto isso, os aposentados que recebem o piso da Previdência, ou seja, o salário mínimo, tiveram acréscimo anual de 7,4% em seus rendimentos e aqueles que recebem acima do mínimo registraram ganho de 4,25% ao ano. “Nesses seis anos, a renda de aposentadoria e de pensões foi responsável por 21% do aumento do bolo de renda do Brasil”, observa.

Problema Mas o crescimento não é sustentável indefinidamente, alerta Neri. A partir de 2024, a população em idade ativa vai começar a cair. Haverá menos gente no mercado de trabalho e menor volume de contribuição para a Previdência. Some-se a isso o aumento da expectativa de vida, que hoje é de 74 anos e em 2024 deve chegar aos 77 anos. Em menos de duas décadas, a população acima de 60 anos vai crescer quase 40%. A expectativa é que em 2030 este contingente some 30 milhões.

Para especialistas, o desafio é garantir a esta população que está se aposentando cada vez com mais saúde acesso a direitos básicos da seguridade social. A grande pergunta passa a ser a sustentabilidade da Previdência Social, que este ano tem déficit previsto de R$ 61 bilhões. “É preciso haver uma reorganização da Previdência”, aponta Melissa Folmamm, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

FONTE

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