A falta de dentes está diretamente relacionada com as funções da mastigação e da deglutição. No estudo “A saúde bucal e as funções de mastigação e deglutição nos idosos”, Maria Cristina Cardos e Roseneide Bujes, especialistas em gerontologia, explicam que essa situação prejudica a alimentação desses indivíduos, podendo causar danos ao seu estado nutricional.

Dados do Ministério da Saúde, de 2004, mostram que os cidadãos na faixa etária de 65 a 74 anos já perderam 93% dos seus dentes. Segundo as pesquisadoras, isso revela a precariedade da saúde bucal na população idosa brasileira.

“As alterações dentárias encontradas nos idosos decorrem de programas de saúde bucal falhos e da falsa ideia de normalidade para a perda dentária com a idade”, criticam no estudo que foi publicado ano passado na revista Estudos Interdisciplinares sobre Envelhecimento.

Segundo o estudo, uma mastigação eficiente depende dos dentes e do número de contatos oclusais que possam ocorrer. A existência de uma perda de dentes leva a um dano nesse eficiente processo, pois, em geral, não há uma compensação e, sim, o aumento do número de ciclos mastigatórios. Isso leva, ainda, a perda do prazer ao alimentar-se e constantes ferimentos na gengiva.

As pesquisadoras explicam também que, mesmo após a colocação das próteses dentárias, a função da mastigação se dá de forma diferente, pois mesmo que os movimentos sejam coordenados, a força para triturar é menor. Isso torna o morder alimentos mais difícil, já que não há mais o mesmo desempenho dos dentes naturais.

“No processo mastigatório, as alterações citadas interferem na eficácia da etapa de trituração, quer pelo tipo do alimento utilizado, quer por fatores como presença de aftas, relações esqueletais e uso de medicamentos, que podem causar a diminuição na sensibilidade e na qualidade geral neuromuscular”, explicam no artigo.

Em casos de falhas dentárias, o estudo explica que é comum a mastigação unilateral adaptada para o lado melhor. Ou seja, para o lado com menor perda dentária. “No edentulismo é percebida a criação do hábito de amassar os alimentos com a língua pressionando contra o palato, devido à impossibilidade de ciclos oclusais”, acrescentam.

Além disso, o estudo mostra que ocorrem modificações na percepção gustativa. “Tais fatores podem levar o idoso à perda da vontade de comer, do mastigar (por fadiga precoce) e do prazer no ato de alimentar-se”, dizem.

FONTE

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