O número representará 29,7% da população total, mais que o triplo do registrado em 2010.

O Brasil terá 64 milhões de idosos em 2050, 29,7% da população total, mais que o triplo do registrado em 2010. A mudança de perfil se dá principalmente em razão da queda crescente da mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida de 50 para 73 anos e uma diminuição considerável da taxa de fecundidade – no começo da década de 60, a mulher brasileira tinha mais que seis filhos e atualmente tem menos de dois.

Esses dados fazem parte do relatório ‘Envelhecendo em um Brasil mais Velho’ do Banco Mundial, apresentado nesta quarta-feira (6), no Rio de Janeiro, no seminário ‘Mudança Demográfica e Crescimento Econômico no Brasil’, promovido em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O debate com os especialistas aconteceu na sede do banco, centro do Rio de Janeiro.

“Nossa contribuição é pensar como o Brasil pode vencer os desafios do futuro”, afirmou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

A mudança de perfil apresenta um cenário em que as oportunidades e os desafios são imensos, segundo opinião dos especialistas que foram convidados. A população idosa tende a poupar mais, o que favorece o investimento, e a vida produtiva pode se alongar. A diminuição de crianças em idade escolar pode aumentar consideravelmente o investimento por aluno. Em contrapartida, o país precisa se preparar para se ajustar a esta nova realidade, com especial atenção no sistema previdenciário.

Para o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop, o cenário pode ser benéfico. “O país pode envelhecer e se tornar desenvolvido ao mesmo tempo. As populações mais velhas normalmente estão associadas a países com maior grau de desenvolvimento”.

Para enfrentar esta mudança demográfica, o Brasil precisa começar a fazer ajustes agora. O estudo mostra que vai aumentar a pressão em setores como educação, saúde, que será mais demandado, e Previdência Social. “Temos que pensar em mudanças para a geração que entra agora no mercado de trabalho”, defendeu o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Paulo Tafner.

Os ganhos poderão ser maiores do que eventuais perdas, avalia um dos principais autores do estudo, Michele Gragnolati. “Durante os próximos anos, até 2020, o Brasil passará pelo chamado bônus demográfico, quando a força de trabalho é muito maior do que a população dependente. O país poderia aumentar o seu PIB per capita em até 2,48 pontos percentuais por ano nesse período. Mas esse enorme dividendo não é automático, depende de instituições e políticas que transformem as mudanças demográficas em crescimento”.

FONTE

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