Os especialistas recomendam que a renda obtida na aposentadoria seja o equivalente a pelo menos 70% dos ganhos recebidos durante o período de trabalho. Esta indicação se baseia na premissa de que ocorre uma sensível redução de gastos após a aposentadoria.

Afinal, os filhos já estarão crescidos dispensando gastos com escolas, por exemplo. Da mesma forma, a casa própria a esta altura já estará quitada. As despesas com transporte teoricamente caem porque não é preciso mais se deslocar diariamente para o local de trabalho.

Tudo bem, estes gastos deixam de existir, mas outros ocupam seu lugar. Para começar, ao se aposentar o assalariado perde o plano de saúde pago pela empresa. Vai precisar contratar um convênio médico individual que, devido à faixa etária, não sai por menos de R$ 800 por mês.

O imóvel quitado é um custo a menos, concordo, mas do IPTU ninguém se livra. Além disso, as despesas de manutenção não deixam de existir depois que a gente se retira do emprego formal.

Considerando a aposentadoria aos 60 ou 65 anos, com pelo menos mais 20 anos de vida pela frente, ninguém hoje pensa (e se pensa precisa rever seus conceitos) em simplesmente vestir o pijama e sentar na frente da televisão – ou no banco da praça – mesmo que ao longo dos anos tenha poupado o suficiente para uma aposentadoria tranquila. Deixar o trabalho não significa necessariamente virar “improdutivo”.

No final do ano passado, 523 milhões de pessoas em todo mundo tinham 65 anos ou mais, número que deverá atingir 1,5 bilhão em menos de 40 anos, segundo estimativas das Nações Unidas.

Nos Estados Unidos e Europa, governos e empresas investem pesado na criação de produtos adequados a esta população. O cenário traçado pelas consultorias para a chamada terceira idade mostra pessoas mais velhas vivendo de forma independente por mais tempo que nossos avós.

O potencial de produtos tecnológicos e serviços que promovam o bem-estar, a mobilidade, a autonomia e a interação social dessa parcela crescente da população entrou no radar de várias empresas nos países mais ricos e essa tendência também está presente no Brasil.

É o que diz, artigo publicado no jornal americano The New York Times em fevereiro. O artigo mostra também que os gastos com os cuidados aos idosos em todo o mundo somaram R$ 600 bilhões nos últimos anos. E mais, nos Estados Unidos, empresas como a Intel e a General Eletric desenvolvem em conjunto tecnologias para ajudar e melhorar a qualidade de vida das pessoas mais velhas.

Toda a experiência acumulada pelos profissionais que passaram anos se aperfeiçoando tem um valor no mercado. A tendência é que essas pessoas passem a contribuir na forma de consultores ou professores, mantendo-se tão ou até mesmo mais ativos do que no período que os economistas gostam de chamar “produtivo”.

FONTE

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